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31 de julho de 2010

Sua Vez/Luiz Carlos Amorim

Música Popular Brasileira

Publicado em 27/02/2010, às 21h02
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Luiz Carlos Amorim

“Música é a linguagem universal das emoções”. Não é, necessariamente, sinônimo de alegria. Nela exprimimos esperanças, anseios e aspirações, sentimentos cuja profundidade nem sempre as palavras traduzem.

Música é cultura, tradição, é arte. Ela pode ser dividida por suas características regionais, ritmos e mensagens, mas não deixará de ser predominantemente jovem, por mais antiga que seja. Música é sinônimo de juventude de espírito.

A música clássica, por exemplo, tem permanecido no tempo com importância sempre crescente, angariando novos adeptos, à medida que ocupa espaços antes ocupados por estilos mais populares. De música erudita apreciada apenas por intelectuais que foi – e talvez não tenha deixado de sê-lo de todo – o som clássico universal vem ganhando progressivamente a aceitação e adesão dos jovens, ao dividir espaço com outros tipos de música, no rádio, na televisão, na Internet.

Já a música sertaneja, considerada há algum tempo, por uma grande parte do público ouvinte, como rudimento de mau gosto musical, tem subido na preferência popular, equiparando-se, em venda e execução, a grandes sucessos de outros gêneros musicais, inclusive entre os importados. Ela, a música sertaneja (há ainda quem a chame de “caipira”?), que se reveste de grande importância por retratar, no seu modo singelo, a sensibilidade, o lirismo e a poesia de uma gente simples e pura.

O jovem, particularmente, prefere a música romântica e o som pesado, como rock, os “raps” e as bandas novas que vão surgindo, com experiências diferentes e inovações. Alguns, no entanto, já estão aderindo ao “sertanejo universitário”. E não são poucos.

A música popular brasileira, apesar de prejudicada pela invasão dos sucessos importados, resiste na luta com bons compositores e intérpretes que tem.

Em se falando de Música Popular Brasileira, pensamos logo “samba”. Há que se esclarecer, no entanto, que o samba é o resultado da influência africana, do canto dos negros escravos que, tirados de sua pátria para servirem os senhores brasileiros, implantaram características e costumes seus na nossa cultura. Não é, pois, algo que tenha tido origem entre os nativos da terra.

Na verdade, não existe a genuína Música Popular Brasileira, aquela nascida aqui, exclusivamente com motivos da terra, da gente da terra, da cultura da terra, se não considerarmos a música sertaneja (ou caipira?). Foi ela que nasceu no nosso meio rural, no interior do nosso país, sem qualquer influência que não da vida simples do homem do campo, seu trabalho, seus amores, suas dores, sua terra. É certo que hoje ela já é mais urbana, mas mantém suas raízes - o som e os temas perseguem as origens.

Pode parecer exagero, mas não é de hoje que os discos de música sertaneja vendem tanto ou mais do que qualquer outro gênero de música. Há duas ou três décadas atrás, atribuía-se isso ao fato de ser mais barato o disco deste tipo de música.

Hoje, os sucessos sertanejos aparecem nas listas dos mais vendidos ao lado ou acima de sucessos internacionais e ninguém mais tem vergonha de dizer que gosta dessa música, que pode ser a mais executada, a mais ouvida e mais cantada, em qualquer lugar no país, seja nos grandes centros ou em pequenas cidades.

Apesar disso, o samba foi consagrado como símbolo da Música Popular Brasileira. Não que isto seja ruim, mas denota mais uma influência de fora que predominou no Brasil, dentre tantas. Mas a originalidade, a singeleza, o lirismo e a autenticidade da música sertaneja, tão popular e tão brasileira, tem a sua força.

Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Tags: Luiz Carlos Amorim, Música Popular Brasileira,

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